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Archive for the ‘Entrevistas’ Category

Nem Deus, Nem pátria, nem muito do que você acredita ser sagrado; ou nada: a Nieu Dieu Nieu Maitre grita sobre isso. Já tendo tocado com nomes expressivos do que se chama hardcore e passado por muitas cidades do país (o que disso importa?), o grupo atualmente se estabelece como um dos mais expressivos e ativos fora do glamour dos palcos que se tem notícia no Brasil. Importando-se muito mais com o impacto causado no cotidiano dos idivíduos, com a trasnformação de idéias e ações que com o número de shows, camisas e álbuns vendidos por conta de seu nome, a banda curitibana segue seu caminho.

Essa entrevista, realizada através de uma curta série de emails e compilada aqui, de certa forma é emblemática de muito,muito, daquilo que fere, choca e dói e que o Elo Coletivo também acredita que deve ser exposto. Originalmente esta entrevista seria publicada em um natimorto fanzine em papel, depois de muita demora cá ela se encontra.

Elo – Primeiramente, o que significa Nieu Dieu Nieu Maitre e o que isso representa para a banda?

(xGx) – . NDNM saiu de um periódico francês anarquista muito antigo, e é uma homenagem  a isso. Existe um bom livro de autoria do francês D. Guérin com mesmo título. É sobre essa coisa de arrancar cabeças dos juízes e amarrá-las nas tripas do papa, vc sabe a guerra espanhola trouxe um pouco disso à tona. Visto que a banda, bem como as nossas letras tem uma orientação  anarquista, mesmo que muitas vezes sendo e beirando um nihilismo, porem, construtivo. Somos daquele tipo de bandas da geração terrorismo brando, sabe, Renascença Pretenciosa Confrontacionista como querem alguns rotular. Coisa de monge…

Elo – Podem falar um pouco a respeito da trajetória de vocês, enquanto banda e enquanto indivíduos?

(xGx) – O NDNM em alguns meses de ensaio produziu uma demo caseira com 9 sons.Isso nunca foi divulgado além dos toca-fitas mais próximos. Na  verdade o negocio não era pra ser uma banda e sim um projeto onde descarregava-se ódio. Mas em 1 ano e meio de vida esteve bem ativo. Tocamos em vários festivais em todo o país. Preconizamos aqueles festivais que tem fundo beneficentes, que não estejam vinculados aos bares, boates, casas noturnas ou mesmo com bebidas alcoólicas, cigarros e produtos afins, onde é enfatizado a diversão machista, opressora, preconceituosa, racista através de cartazes com mulheres semi nuas e garotões dos olhos verdes e azuis sempre sorridentes rodeado de um mundo inexiste para a maioria de nós.

Foram muitos shows durante esses quase 2 anos, muitas amizades foram feitas; fica difícil dizer o que foi memorável. Nos Pampas tocamos com o xAMORx e com uma das maiores bandas brasileiras, o NO REST que somam 20 anos de resistência punk tupiniquim. Em santa Catarina com o Nunca Inverno e Fornicators . No Paraná com bandas veteranas exemplo do KUOLEMA que estão aí desde 1979,  VOMIT FOR BREAKFAST, 54 SUICIDES da alemanha, DEFECT DEFECT da EUA, Los Perversos da Argentina e Uruguai. No Espírito Santo com Alliance e outras. Londrina com Minha Guerra, Fisicopatas e Noise Reduction entre outras e dentro disso Rattus, Riistetyt e outras maiores não menos importante.

Fizemos uma turnê pelo Nordeste em 2007 passamos por 12 cidades com Renegades of Punk, Chiaki Kiddo, Arquivo Morto, Capitalixo, Maharishi e uma porrada de outras bandas. Disso aí surgiram gigs no Rio de Janeiro no Squatt Flor do Asfalto e outros locais também. São Paulo é um lugar que temos muitas afinidades, várias gigs. Muitas memoráveis em SP com Abuso Sonoro, Armagedom, no Carnaval Revolução, festivais Pé di Barro, Terror House, etc. Fomos para Argentina e depois por último num rolê pro centro-oeste um dos melhores que já fizemos. Mas todas tem o seu valor. Difícil é pesa-las.

Elo – E como surgiu a banda, quais os outros lançamentos que ela já fez?

(xGx) –  Em meados de 2002 um coletivo que reunia várias pessoas que tinha como base a Casa da Ponte esteve ruindo. Dessa ruína nasce o NDNM com três pessoas desse coletivo. Mas não era pra ser banda. Era na verdade um desabafo de tudo que acabávamos de passar. Muita angústia contida, as letras sobre temas mais amplos e não tanto naquela coisa da cena e convertidos. Mas as coisas tomaram outros rumos, por si só.

O estúdio que ensaiavamos nos presenteou com uma demo a qual não tínhamos a pretensão de algum dia gravar. Isso nunca havia sido cogitado. Deu-se o nome de  NEM DEUS NEM PÁTRIA.

A segunda coisa foi um presente também. Tocávamos num espaço para mais ou menos umas 5 ou 6 pessoas. Dentre elas estava um bélga que passava pela rua e resolveu entrar no espaço. Coincidentemente ele era dono de um selo ( Filth Ear) e disse que ia lançar um vinil 12″ nosso e que então tíhamos que gravar em duas semanas. Bem, foi o que fizemos. Nomeou-se, esse lp, como MORTE BRANCA.

A terceira gravação foi um K7 lançado por nós mesmos com sobras de gravações que não couberam no LP. Chama-se INIMIGO DO ESTADO.

A quarta gravação foi bancada pelo selo Altruísmo discos (porto alegre) e Rosa Negra (blumenau), demos o nome de CORPORATIONS DESTRUCTION SONGS.

Elo – A NDNM está preparando alguma coisa pro futuro: o que podemos esperar?

(xGx) –  Temos previsão de lançarmos ainda um LP com 22 sons que já foram gravados. Problema é que ninguém quer lançar… Somos o tipo de banda que não vende, é uma coisa muito restrita. Pode chamar isso de gueto, talvez. Tem umas turnês, mas nada ainda confirmado totalmente.

Elo – Vocês possuem outras atividades dentro do cenário underground fora do NDNM, como zines, distros, outras bandas etc?

(xMayarax) – Embora os meus primeiros passos, no cenário punk, tenham sido fruto mais de um gosto musical do que reconhecimento político, com o decorrer do tempo passei a me interessar muito pelos coletivos (de libertação animal, feministas, movimentos sociais, ocupações). Frente à necessidade de me organizar politicamente aliada à disposição das pessoas presentes ao longo da minha formação, as coisas tomaram um teor mais sério. Atualmente, colaboro- não como moradora- com o squatt 13 de janeiro. Neste espaço, acontecem oficinas, vídeos-debates, shows, bem como as reuniões do ELA (Estudos e Práticas de Libertação Animal), MPL (Movimento Passe Livre), NAC (Núcleo Anarquista de Curitiba). Estamos com uma banca libertária de livros, também!

(xGx) – Gostaria de, em primeiro lugar, esclarecer o seguinte, a turma do NDNM não tem a ínfima pretensão de estar envolvido nesse esquema de  “cena” ou qualquer que seja o entendimento por um amontoado de estacas  humanas sem expressão alguma a nível organizativo, político-sócio-cultural, ativismo/militância, construção pessoal e por fim como interventores da própria realidade. Infelizmente é o que enxergamos como cena: Tatuagens, roupas exóticas, coleção de discos raros, especializações em mediocridades.

Temos uma coperativa de livros anarquistas a qual expomos em gigs, universidades, eventos em associações de bairros e sinidicatos. Junto a ela tem alguns discos, K-7s, zines.

No momento estamos na construção de um periódico da organização a qual pertencemos N.A.C. (Núcleo Anarquista de Curitiba) e o informativo do Centro de Cultura Anarquista 13 de Janeiro.

Sim, participamos de outros projetos musicais. Nesse instante trabalhamos no INF(A)ME – com um som pesado, negativo com pitadas catharsis e death/black. Outro projeto é o SPARA – engraçado porque imaginavamos um tipo de som e saiu outra coisa que ainda não sabemos definir. Os vocais são berrados mas a sonoridade da banda lembra algo como uma banda garage, pré-punk sei lá.

E outras que não tem expressão alguma.

Elo – Numa entrevista sua, que pode ser vista na internet, feita um tempinho atrás, você disse que não existe cena em curitiba: continua assim?

(xGx) – Depende. Se você se refere à cena hardcore-punk, está morta!

Elo – Sim, me referia ao hardcore-punk… provavelmente você está dizendo que o hardcore “de monge” está morto: correto?

(xGx) – Errado. Se algumas pessoas insistem chamar panela de movimento ou mesmo de cena, ok! Eu não vou dizer isso e nem compartilhar, e isso é instrutivo, da mesma posição.

Elo – Então como é a realidade ai, como se faz show, onde, quem toca, que tipo de coisa toca e pra que tipo de gente?

(xGx) – A realidade aqui é sufocosa. Você sabe, sair de casa e dar de cara com o “cidadão de bem” e todas essas construções deformadas chamada de sociedade de bem estar comum, livre mercado, capitalismo humanitário, isso é um monte de lixo acumulado, é uma coisa dura de qualquer um conviver. Lembre, aqui ainda as pessoas acreditam nessa coisa de cidade modelo. As gigs acontecem em nossa casa na maioria das vezes, na maior parte delas tocam bandas de fora e as mesmas daqui (MOTIM, ONDE EU ME ENCAIXO, PARAMORTE).

A turma que frequenta é bem eclética. Em sua maioria universitários, secundaristas e um pouco da turma ligada com hardcore.

Elo (xMagox) – Quando estive ai uns 2 ou 3 anos atrás haviam alguns dias que uma mina fora esfaqueada numa praça por WPs pelo que você (xGx) me disse. Como estão as coisas por ai, como os grupos e nichos do hardcore estão se relacionando?

(xGx) – Essa questão é bem complicada por aqui. Realmente complicada, pois o que em outras cidades está relegado a uma gangue específica ou qualquer coisa perto disso aqui o negocio entrou no âmbito institucional propriamente dito. Pra que se tenha uma idéia ao que me refiro exatamente,  temos como veradores representantes dessa porcaria hooligan. Não é  diferente dentro da instância do judiciário onde existem casos de promotores  e juízes Skinheads. Então a coisa que se dá nas ruas não é nada  mais do que um reflexo de como a aceitação desse tipo de política é  naturalizada por aqui. Mas digo isso a nível dessa cidade aqui. A ascepsia  social é tida como excelente entre a maioria das pessoas aqui. Continua a  mesma coisa, é muito sério. Há pouco tempo teve um ataque brutal a um  morador de rua que inclusive tínhamos proximidade.

Elo – Como vocês enxergam a relação hardcore/política/ativismo, como ela  é por ai, faz alguma diferença cantar “Construa seu próprio tempo” ou  simplesmente uma letra romântica qualquer?

(xMayarax) – Quando se fala de hardcore, logo vem em mente “estilo alternativo de vida que visa romper com as imposições as quais somos  submetidos”. Mas, isso não seria Anarquismo? Quem faz parte do hardcore é  necessariamente libertário? Sim e não, respectivamente. Não vejo, na prática  e em sua totalidade, o punk como ferramenta de transformação.  Há de tudo,  digo, várias pessoas com diferentes posicionamentos políticos (diferenças  extremas que impedem, muitas vezes, a convivência): anarquistas,  comunistas, apolíticos, sxes-skins, raw punks, cristãos. Não que a pluralidade  seja algo ruim, absolutamente, mas torna-se difícil encontrar coesão em um movimento onde as idéias trabalham, na maioria das vezes, em lados opostos. Por isso digo, quer se organizar? Não espere muito do  hardcore.

(xGx) – Devemos colocar parâmetros nas questões ou então seremos tão acertivos quanto um africano nazista. Como a Mayara colocou acima,  entendo o hardcore como um lugar que existe espaço para se discutir sobre  inúmeros aspéctos da vida ao mesmo tempo que é um lugar da expressão da  lei do mais forte. Cansei de ver machões tatuadíssimos com roupas  “descoladas” como centro das atenções e ainda, formadores de opinião. Gays ultra corporativistas de direita que execram tod@s e quaisquer que não sejam seus pares. Uma infinidade de bandas com letras como: “bicha de  merda” ou “pegou aids da vadia” ou “sem terra e sem vergonha” e todo esse  tipo de posicionamento absurdo, retrógrado, ultrapassado, burro, simplista e  senso comum. Então, qual é o tipo de “hardcore” que é referido? Dentro do NDNM existe uma preocupação com o que iremos vincular por aí. Para nós a musica, a arte da capa / encartes e as letras tem seu papel, mesmo que  endogenicamente limitadas, como parte da construção social ideológica a  qual entendemos ter parte na alteração dela e da maneira que entendemos visar o bem. Entendemos que, de uma maneira negativista no sentido estrito-senso, ao negar algo busca-se o melhor. A política dentro do hardcore ela é  dúbia. Tem-se a extrema direita e anarquistas primitivistas dentro da mesma  coisa chamada hardcore.

Ativismo. Aqui novamente é necessário que se faça  a devida distinção do termo.Ativismo e militância, ao que compreendo, são  práticas diferentes. Rapidamente, o ativismo não altera em nada a vida do  ativista. Um exemplo: um protesto em frente a embaixada dos Estados  Unidos da America com palavras de ordem como algo do tipo – “os pobres  não aguentam mais reajustes fiscais” – no mesmo momento o trabalhador  passa por um ônibus em frente a embaixada rumo ao seu emprego e nada  entende ao ver a manifestação que diz existir pra ele. Militância no entanto, visa o trabalho diário nas bases e é algo em que o militante incorpora de  forma que sua vida é a militância e não algo como uma atividade durante  algumas horas no mês. Acho que assim como a igreja, a universidade, as  escolas, tem seus militantes comprometidos realmente com a causa social (e  não duvido disso vide teologia da libertação e maio de 68) a porta de entrada  para uma boa militância pode ser via hardcore-punk. O quero dizer com isso  é que para mim hardcore-punk não é espaço para se buscar esse tipo de  organização com qualquer garantia.

Elo – Bem, vocês disseram que apesar de tudo enxergam o hardcore como uma porta de entrada para diversos questionamentos e conseguintemente,  em alguns casos, para uma militância ativa do indivíduo em alguma causa, mas que no entanto o hardcore ainda se estabelece prioritariamente como um nicho cultural tão mantenedor do status quó quanto qualquer outro: onde reside a fronteira, a zona de tenssão? E como vocês acreditam que se pode direcionar o ponteiro para o outro lado? Se é que acreditam que pode.

(xGx) – Na verdade ao entender que essa porta de entrada não é uma exclusividade do hardcore-punk não vejo problema da coisa se dar em outros âmbitos e ainda mais focado do que talvez tivesse no hardcore-punk, mas porque não dentro do hardcore punk também?. Como a coisa está  completamente ligada ao indivíduo (tanto é que um dos lemas dentro da coisa punk hardcore é o “faça você mesmo”) a fronteira é de indivíduo para  indivíduo. Como supra-ressaltei, existem projetos realmente  compromissados e outros nem tanto. Depende da raíz dos envolvidos. Esse ponteiro é deslocado, no meu entendimento, quando nota-se, por parte da interação que se tem nesse tipo de atividade, uma ação direcionada  frontalmente àquelas pessoas ali presentes.

O contato físico, verbal, psicologico são instrumentos primordiais nessa  processo de ação para deslocar o que você chamou de ponteiro. Mas isso não é garantia de nada. Afinal, entretenimento para brancos, burgueses, cristãos tem até no shopping center.

Elo – Toda essa compreesão de mundo e convicção no posicionamento de vocês é algo muito dificilmente encontrado no meio, infelizmente, como vocês lidam com a incompreensão e incompatibilidade de outros grupos diante disso (dos posicionamentos e da firmeza em sustentá-los) e fugindo um  pouco: não há espaço para diverssão no que vocês fazem, como vocês encaram quem está nisso por diverssão, tendo em vista que pode-se por exemplo “entrar ou sair deste estado”?

(xGx) –  São duas perguntas. A primeira a resposta é frustração generalizada. Não sou eu quem vai dizer o que as pessoas devem seguir ou deixar de  acreditar. Nosso papel dentro disso é mostrar um ponto de vista que  enxergamos como seria mais apropriado deixar de lado certos hábitos e crendices, mas de maneira alguma como imposição dogmática a ser seguida e essas coisas. Me divirto muito em minhas escolhas. De maneira alguma acho uma opção pedante.

Elo – O que serve de referência no processo criativo de vocês, podes dizer um pouco como ele se dá?

(xMayarax) – O meu processo criativo é inspirado pelo: Abuso e descaso das Instituições Representativas; falta de políticas públicas que venham garantir o cumprimento das leis, isentando-nos de: MORADIA DIGNA,  TRANSPORTE COLETIVO GRATUITO, EDUCAÇÂO, SAÚDE, LAZER,  CULTURA; violência legitimada pelos papéis sociais. Em contra partida,  inspirado, também, pelas ideias de AUTOGESTÃO, APOIO MÚTUO e  LIBERDADE.

(xGx) – Olha só, temos influencias muito fortes das empresas que nos causam enormes danos, da policia que com toda a sua brutalidade oficializada nos  cala e criminaliza a pobreza e não aqueles que acumulam imensas furtunas,  das escolas que nada mais nada menos nos adestram para servimos da melhor forma possível futuramente às fabricas e mega corporações, das injustiças contra os pequenos produtores e campesinos na América Central e do Sul, a estrutura sufocante da cidade, dessa disposição maldita em que a vida se arranjou. Sim, todas essas coisas nos influenciam. Mas você nos perguntava sobre as bandas, acho que era isso…bem, existem uma serie de bandas, na sua maioria aquelas uma dia chamadas  de  “rock de monge”, sabe, daquela turma de cabeças raspadas e letras contundentes do “verão revolução”, também do pessoal perto do cáucaso um pouco depois, algo como como Ripcord, Discharge, Minor Threat, Negative Approach, Born Against, Crass.

Elo – Não só bandas, não só “problemas sociais”… livros filmes; histórias; estórias; imagens etc e além de apartir do que vocês criam: como vocês criam?

(xGx) – Alguém deve levar alguma base, um rascunho com alguma letra sugerindo um tema. A coisa não tem nada demais, ensaia-se e deu.

Elo – Antes de terminar: Por que alguém não deveria ouvir a NDNM, adquirir nada da NDNM nem apoiar em nada a NDNM?

(xGx) – Porque muito provavelmente não apoiaremos um estilo de vida burguês impregnado de produtos plásticos revestidos com aço, suor e fezes tido como troféus de uma vida impecável bem sucedida que servirá de  exemplo para outras gerações de alguma linhagem. Tudo aquilo que focamos são expressões de quem perdeu e continua a perder nesse jogo nefasto,  injusto, brutal dito Estado e suas instituições coporativas que eternamente buscam favorecer a minoria abastada em detrimento da multidão  resignadamente esfomeada. Realmente, jamais tivemos a pretensão de   sermos escutados, de vender-nos consumidos e apoiados. Somos o que  somos e o que buscamos ser.

Elo (xMagox)– Por fim agradeço a atenção, a NDNM é uma das bandas que mais admiro atualmente no Brasil, pelos posicionamentos, pela atuação, pelo som e trocentas outras coisas que o “hardcore de monge” representa pra mim. Mesmo sabendo que ninguém é “monge”, que em nossas caminhadas devemos ir de encontro às nossas contradições.

Muito obrigado mais uma vez.

(xGx) – abs.

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Mais um ‘5 Sons na minha cabeça‘. Dessa vez com o Osmair, guitarrista da Terrible Force, banda paraibana de thrash metal que se apresentará dia 16/10 no evento ‘Algumas Horas de Insânia, Ato I‘ promovido pelo Elo Coletivo.

Foto por Rafael Passos.

Vamos aos sons do Osmair.

Normalmente eu demoro muito ouvindo um Play de uma banda,gosto de escutar diversas vezes e durante muito tempo. Nesses últimos dias eu tenho ouvido muito som velho, mas também mesclando com algo novo, buscando conhecer e entender as novas tendências de sons undergrounds. Vou começar a lista:

Excel – Image Split – 1987

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Esse Play é simplesmente FUDIDO. Crossover/Thrash muito bem feito e com uma qualidade monstruosa, quem não conhece ainda,digo com toda a certeza que irão gostar. Toda vez que escuto sinto vontade de correr e quebrar tudo!

Uzômi – Uzômi – 2008

Preciso falar mais alguma coisa? Esses escrotos cariocas estão em um nível muito alto em relação a composição e apresentação (quem foi no show sabe do que eu estou falando). Os brothers cariocas destilam um Crossover rápido e sem frescurinhas com Riffs muito bem elaborados, uma verdadeira resistência a essa febre de “coletinhos” que rola hoje em dia! Hail pros cahaceiros da Uzomi, Hail Brasil!

Terrorizer – World Downfall – 1989

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Álbum ícone do Death Metal Old School,com algumas levadas bem HC e um pouco de Grind, esse Play alegra os meus dias e me influencia muito na composição de novos Riffs.

Cranium – Speed Metal Sentence – 1999

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Banda sueca de Speed/Thrash, quem nunca ouviu achará estranho as linhas de vocais(parece uma tia brigando com um sobrinho). No todo,é uma banda que no meio Underground do Metal (entenderam aew?) é muito respeitada. Esse Play é bem interessante e em toda faixa,na introdução rola uma historinha antes como já é marca registrada dessa banda. Muito boa,se puderem…confiram!

Sepultura – Beneath the Remains – 1989

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Álbum referencia MUNDIAL (muitos gringos pagam pau pra esse álbum), sempre está na minha lista de Plays, pra mim foi o melhor álbum de Heavy Metal ou Metal no geral que o Brasil já fez. Nenhuma outra banda do Brasil vai conseguir chegar no status que o Sepa chegou com esse álbum.hahahha os caras do Slayer eram putos com o Sepultura porque eles tinham que abrir show pro Sepultura nos EUA na época desse álbum(chuuuuuuupa seus gringos).

Terminei minha lista, espero que tenha agradado a alguns!  Heheh  e a Terrible Force espera a presença de vocês no Evento Algumas Horas de Insânia da Elo Coletivo que vai rolar dia 16/10 em Moreno.

Stay Heavy Ever

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Primeiramente gostaríamos de agradecer a todo mundo que vem acompanhando o blog, e dizer que estamos preparando algumas novidades que serão postadas em breve, como textos (sobre diversos temas), resenhas de CDs e, o mais legal de tudo, os eventos.

Pra mais um ‘5 Sons na Minha Cabeça’ convidamos o camarada Éderson José, conhecido aos milhares como Chapolla. O mesmo é baterista do trio paranaense Nevilton, que além de muito conhecidos pelo seu carisma e energia no palco, foram apontados pelo jornal O Globo como a grande novidade da cena indie do Paraná, além de boas críticas na Rolling Stone Brasil e diversos outros meios. O grupo possui um EP chamado ‘Pressuposto’ que pode ser baixado gratuitamente no site da banda.

Vamos as dicas do Chapolla:

Olá! tudo legal aí?!

Bom me pediram pra que falasse a respeito dos discos que venho ouvindo ultimamente, pra ser mais preciso, na última semana. Pois então vamos lá! Vou tentar resumir em 5 discos tudo o que ouvi nessa semana!

Quees Of the Stone Age – Songs for the Deaf

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O primeiro é o disco do Quees Of the Stone Age chamado “Songs for the deaf”, com Dave Grohl na bateria. Com esse álbum a banda recebeu boas críticas e até o status de salvadores do Rock.

Misfits – Project 1950

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A seguir vem o disco do Misfits, intitulado “Project 1950”, ele consiste em covers de rock principalmente da década de 1950 e 1960. Este álbum marca a estréia do baixista Jerry Only como vocalista da banda e conta com Marky Ramone na bateria e percussão! Coisa fina ouçam! =D

Shelter – Mantra

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O terceiro é um disco que eu ouço há uns 3 anos, direto, ininterruptamente, do início ao fim. Se chama “Mantra” da banda Shelter, tratando de assuntos como: Problemas da Civilização e também falando sobre a filosofia Hare Krishna. Um disco formidável com linhas de bateria bacanas!

Otto – Certa Manha Acordei De Sonhos Intranquilos

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Agora vamos pisar um pouco em solo nacional e falar de um álbum que eu estou ouvindo demais, do grande Otto, o nome é: “Certa Manha Acordei De Sonhos Intranquilos” e produzido por: Fernando Catatau, da banda cidadão Instigado. Tirando de lado a temática triste, em que Otto fala sobre dor, perda e fim de relacionamento, os timbres desse disco vem para acariciar os ouvidos de quem gosta de música bem feita.

Leptospirose – Mula-Poney

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E por último um disco de uns brothers de Bragança Paulista-SP: Quique Brown e sua trupe, a Leptospirose, com o “Mula-Poney” que eu diria que é uma porrada sonora, salientando as linhas de baixo do grande Velhote, que eu acho sensacionais. Tivemos o prazer de fazer uma pequena tour com essa galera firmeza! Até ganhei um “nickname”, não é Quique?! haha… piadas internas a parte, ouçam e batam a cabeça!

Bom, espero que possam apreciar esses discos.

Não deixem de visitar: www.nevilton.com.br

Grande abraço à todos!

RRRRock!

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Esse ‘5 sons na minha cabeça’ é duplo. Dessa vez conta com as dicas do Fábio Mozine e Aline Myrtes. O Mozine dispensa apresentações, né? Figura carimbadíssima do Hardcore nacional, integrante de bandas como Mukeka di Rato, Os Pedrero e Merda, além de dono da gravadora Laja Records.

E a Aline é guitarrista da Noskill, banda também bastante conhecida por todos nós.

Então, deixando as apresentações de lado, vamos ao que interessa, as dicas de som.

Mozine:

Adelino Nascimento Volume 1

Sempre ouço e sempre ouvirei esse disco de cabo a Rabo.  Significa o mesmo que o primeiro do Ramones significa pra mim.

Teengenerate – Savage

Mixagem porca mas eu gosto!

Os Pedrero – Pin up Gordinha – ep

Soh estou escutando esse disco porque eu mixei e estou conferindo, gostei, bem sujo mas com tudo audível.

[PS: Não encontramos na rede essa música ou EP pra download]

Nofx – ribbed

Achei esse cd aqui apodrecendo e comecei a escutar tb, mixagem linda, soh clássico.

The Blue Hearts – Linda Linda

Fui mostrar a música Linda Linda pra minha namorada e redescobri como esse bagulho é maravilhosamente bom, é o The Clash do Japão.

Aline Myrtes

Bem, ultimamente eu tô ouvindo músicas bem aleatoriamente, são poucos os álbuns que estou absorvendo por completo… Vou falar dos cinco álbuns que tenho escutado com frequência e que me chamaram muita atenção nos detalhes, nos instrumentais e naquelas sacadas que quando a gente escuta fica pensando como alguém pode pensar em criar uma parada tão agradável de se ouvir! Ressaltando que na minha lista tem um pouco de tudo e pra todos os gostos!

OS REIS DA COCADA PRETA – 2010

Os Reis da Cocada Preta é uma banda paraibana, da minha terra (João Pessoa) e que está na ativa desde 2006, eu já tinha curtido muito o primeiro trabalho da banda que carregava umas letras interessantes e um estilo próprio de riffs através da pegada deles, que é uma pegada bem alternativa. Recentemente lançaram seu mais novo EP, que tá bem diversificado, tem letras que abordam críticas sociais e também que falam de sentimentos, tem músicas intimistas e outras com gás de sobra… destaque para as músicas “Pessimismo”, “Memorável Encontro” e “Esse é o meu País”. Segue o link pra quem quiser dar uma sacada!

TAKE OFF THE HALTER – We Took Off (2009)

Sou suspeita pra falar dessa banda, juro que desde a primeira vez que ouvi o álbum “We Took Off” viciei completamente. Esse é o tipo de cd que você te estimula pra querer correr em um belo dia às 9 horas da manhã diretamente em contato com o sol! Tem uma característica que eu gosto muito, um hardcore e uma pegada punk marcada com quedas pesadas na melodia, um vocal bom de se ouvir, bateria trabalhando com a guitarra… É uma banda que surgiu recentemente, os meninos são muito jovens, estão a pouco tempo na caminhada e já abriram vários shows pra bandas consagradas como NOFX e No Fun At All. Destaque para “The Parable of Paul Tadpole”, “Gas Chamber” e “We Took Off”.

NEVILTON – Pressuposto (2009)

Nevilton é um trio Paranaense que vi e ouvi pela primeira vez no Grito Rock desse ano, aqui mesmo em João Pessoa. É um som que não dá pra identificar na primeira vez que se ouve, foi assim comigo, um certo dia parei pra ouvir o cd de verdade e percebi coisas que não havia absorvido na primeira impressão, tinha curtido muito a presença de palco deles, que realmente é instigante!  Bem, o me chamou atenção de fato foram as pegadas de guitarra desse cd, cada música um mundo, pura criatividade! O EP “Pressuposto” é o mais novo trabalho deles, é um estilo de som bem diferente, ou seja, ame-o ou deixe-o. Destaque para: “O Morno”, “Vitorioso Adormecido” e “Pressuposto”.

THE STROKES – Is This It (2000)

Agora se trata de um clássico, pelo menos pra quem gosta de um rock de garagem, bem feito e e enérgico!  Acho que esse é um cd pra relaxar, ficar de boa, empolgar pra viver o dia, os riffs de guitarra simples é que dão uma sensação interessante, este cd foi eleito o melhor da década de 2000. O primeiro disco de uma banda geralmente sempre parece soar melhor, menos pretencioso e talvez por isso fique tão bom, isso acontece com várias bandas, é o caso do Strokes. Desconsiderando a música “Last Nite” que não curto muito porque é enjoada, o resto do cd eu adoro, todas as músicas tem a essência simples da banda. Vale a pena!

CPM 22 – Cidade Cinza (2007)

Sem pré-julgamentos!!! hahaha Me surpreendi com esse cd, desde que a banda pegou essa “vertente rádio” eu não a acompanhava mais. Porém, tinha esse cd engavetado no PC, peguei um dia pra ouvir e descobri que eles merecem minha consideração, mesmo contendo 80% de letras baseadas nos sentimentos! Existem duas músicas muito interessantes, destaque para as letras e vocal de duas músicas, são elas: “Tempestade de Facas” que tem uma pegada pesada/meio grunge e “Maldita Herança” que tem a pegada punk da banda um pouco mais agressiva.  Eles tão pra lançar cd novo esse ano, uma galera considerada tá ajudando a produção, exemplo é Phil do Dead Fish e Farofa do Garage Fuzz que vai criar a arte do cd! Tô esperando o resultado!

Finalizando…

Esses são os discos que tenho ouvido ultimamente e espero que vocês curtam pelo menos um destes! Abraço pra todo mundo e pra Gustavo pelo convite!

Foi um prazer!

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Mais uma da série de dicas sobre o que ouvir que nós, do Elo Coletivo, estamos propondo para que alguns roqueiros dêem a vocês, leitores do blog. Dessa vez, conversamos com Daniel Avelar, guitarrista da banda carioca Plastic Fire sobre os sons que ele anda ouvindo. Pra quem não conhece, a Plastic Fire existe desde 2006 e está com seu novo CD prestes a ser lançado. Sem contar que em Janeiro/2011 a banda estará pisando em solos nordestinos em sua primeira tour. E pra dar um gostinho de quero mais, os caras lançaram, há alguns dias, o single “O Preço de Ser Impessoal” que pode ser baixado gratuitamente.

Portanto, segue a lista dos últimos discos mais ouvidos pelo Daniel:

Lowtalker – People Worry About Everything (2010)

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Banda nova formada por membros do  Misery Signals e Comeback Kid. O som é bom d+! Se você gosta de Polar Bear Club, Hot Water Music que nem eu, baixe agora!

Shai Hulud -That Within Blood III – Tempered (2003)

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Banda sensional que o falecido (e único) Colligere teve a idéia de, digamos “chupar”! Melódia, técnica e peso tudo junto!

Chuva Negra – Terapia (2010)

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Bom, eu e a metade da torcida do Flamengo, estamos viciados no som dos caras né rs! Pq é bom, e ponto final!!! Se você não gostou, bom sujeito VOCÊ não é! Sinceridade, Melodia e LETRA! Grandes (grandes mesmo) amigos, ótimas pessoas, uma linda banda!!! Melhor CD do ano, até agora, na minha humildade opinão!

Twinpine(s) – Niagara Falls (2010)

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Tive o prazer de tocar com essa banda, em umas das passagens do Plastic Fire, esse ano em SP! Na ocasião, eles abriram a noite, e cai de cara com o show, com o som, com tudo!
Umas das boas revalações desse ano!

Bodyjar – Bodyjar (2005)

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Sempre escutei falar muito bem dessa banda, mais sempre tive preguiça de baixar! Devido aos bons argumentos do amigo Helinho (ex Food4life, atual Questions), procurei + sobre a mesma! O som é muito bom, aliás, tem bastante coisa boa do outro lado do mapa! Um ”viva” a Austrália!

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No dia 28/05/2010 o Iraq gritava ao som de Pólvora, Dialeto e outras: primeiro show organizado pelo Elo Coletivo, com uma força dos nossos amigos do Coletivo HR. Tour Nordeste da banda carioca Zander. Banda essa, que já começou com certa projeção devido os seus membros serem figuras carimbadas da cena hardcore nacional.

Com apenas pouco mais de 1 ano de banda, 2 discos lançados e muita história pra contar, conversamos com o Léo Mitchell, baterista, sobre projetos futuros, turnê, CD novo, e diversos outros assuntos. O resultado vocês conferem à seguir.

Elo – Quando se fala em Zander, a primeira coisa que se remete é ao Noção de Nada e Dead Fish por que o Bill e o Phill integram ou integraram essas bandas. Porém, não menos importantes, os demais integrantes da banda fizeram ou fazem parte de outros projetos. Falem sobre esses outros projetos, qual a importância deles e o que acham dessa alusão?

Léo Mitchell – Acho bacana a galera que se interessa em ouvir os outros projetos de uma banda, assim como eu sempre fiz com bandas que eu gostei. Todas essas bandas e projetos tiveram um papel importante na vida de cada um e isso é o que importa de verdade. Marcelo tocou muitos anos na A Sangue Frio. Acho que vale falar também da Yun Fat, Jonas e Hoje Você Morre. Foram bandas que ele tocou que eu gostei. A primeira banda que tive com ele foi a Viver Mata. O Sanfona tocou no Dirty Shoes (ele é o cabeludo na foto do encarte do disco), no Discoteque (junto com o Bil), Nipshot e no Noção de Nada. Sanfona participou ativamente da ultima formação do Noção. Gravou o Sem Gelo e fez todos os shows divulgando o disco até o ultimo show da banda. Tocamos juntos como back up band do Malni até o final do ano passado. Bil tocou no Melissa que fez uma fita demo que ouvi muito quando moleque. Antes de me mudar pro Rio eu tinha gravado dois EPs com o Zackarias Nepomuceno.

Elo – O primeiro disco da banda [Em Construção] foi lançado em SMD. Qual a experiência da banda com esse material? O próximo CD vai sair no mesmo formato?

Léo MitchellO SMD é uma puta idéia pra um EP. Eh bem feito, relativamente fácil de fazer e barato. Só precisa de disposição e um pouco de grana. Foi a melhor opção pro EM CONSTRUÇÃO. O JÁ FAZ ALGUM TEMPO só não saiu em SMD pq estávamos realmente com a grana curta. O próximo é um discão com 11 musicas. Leo Vilas fez uma arte arrebenteira e resolvemos prensar um disco como nos velhos tempos. Vai sair pela MANIFESTO DISCOS.

Elo – No começo desse ano vocês fizeram uma turnê aqui pelo nordeste, inclusive nós, do Elo Coletivo, que organizamos as coisas aqui por Recife. O que acharam daqui, qual a impressão que tiveram e principalmente: pretendem retornar para divulgação do próximo trabalho?

Léo Mitchell – Pretendo retornar sempre. Já tenho muita historia pra contar daí e guardo elas com bastante carinho.

Dessa ultima vez, um pouco antes de chegarmos a Maceió, paramos pra tirar água do joelho e me informaram que seria mais rápido se pegássemos a estrada pela praia em direção a Recife. Eu tava sem carteira de motorista e era minha vez de ser o motora. Ainda abri uma cerva e fui pro volante feliz achando que chegaria logo logo. Resultado, a estrada era pior e mais demorada e foi culpa minha chegarmos em cima da hora no show (foi mal aê). Mas o show não poderia ter sido melhor. Foi o primeiro da tour e todo mundo tava bem animado. A recepção da galera e a atenção de vocês do Elo Coletivo foram 100%. Aquela festa depois do show que rolou o Matalanamão foi doida demais. E o café da manhã no dia seguinte foi o meu melhor café da manhã do ano até o presente momento.

Elo – Na internet rola um mini documentário sobre a história da banda, já saiu também um teaser sobre a tour na região sul. Vai rolar também alguma coisa parecida da tour aqui no NE?

Léo Mitchell – Tentamos sempre registrar tudo. No caso da tour no Sul desse ano e a do NE o grande Venâncio Filho (@kindacore) acompanhou a gente nessa função de amigo / fotografo / camera man / e outras coisas mais. Então tem muito material com ele do NE e espero que ele consiga um dia, se o trampo dele permitir, editar tudo isso. Quem sabe mais pra frente não tiramos um tempo pra editar tudo e lançar um DVD dessas tourz.

Elo – Como é a frequência de ensaios/ produção/ shows da banda, já que o Phill não mora no RJ?

Léo MitchellOs ensaios e shows rolam naturalmente. A maioria sem o Phil. Infelizmente faz tempo que não temos o Phil junto. Mas é uma questão de agenda e compromissos. Por enquanto vamos tocando, ensaiando e gravando sem ele e assim que pintar uma oportunidade com ele certamente vamos nos divertir pra valer.

Elo – (Gustavo) Li uma resenha, ou coisa que o valha, sobre vocês, e a pessoa que escrevia caracterizou a banda como um ‘mosaico sonoro’. Como vocês definem o som que a Zander faz?

Léo Mitchell – O som é rock. As vezes da vontade de fazer algo mais pesado, as vezes algo mais rápido, as vezes algo mais brasileiro, as vezes canções e baladas. Mas é tudo rock no final. O que não muda é a atitude do it yourself e o grande foda-se pra tudo que ficar atrapalhando no caminho.

Elo – Quais os novos projetos da banda? O que planejam para o futuro?

Léo Mitchell – Acabamos de gravar o disco novo, o BRASA. O lançamento virtual vai ser dia 15 agora de Setembro no Trama Virtual. Em Outubro vai rolar os lançamentos aqui no Sudeste. A idéia é conseguir rodar bastante com o disco novo até o final do ano.

Elo – (xMagox) É inegável a transformação do cenário musical e cultural como um todo a partir do impacto causado pela internet, como a Zander faz uso dessas ferramentas? O que vocês enxergam de retorno disso?

Léo Mitchell – Resolvemos grande parte de tudo através da Internet. Shows, contato com a galera que acompanha a banda, divulgação de trampos novos, venda de merch. Enfim, usamos pra caralho a Internet. Eu fico feliz que a Internet existe e que quase tudo que fazemos nela é gratuito. Se não fosse de graça teríamos que achar algum outro jeito de fazer as coisas. Talvez o mundo fosse melhor sem a Internet. Mas isso já é papo de outra pergunta.

Elo – (Gustavo) Se puder e/ou quiser, indique alguma banda nova nacional que, na sua opinião, mereça ser ouvida.

Léo Mitchell – Indico o Plastic Fire, o Avec Silenzi, e o StripClub. São bandas que eu acompanho de perto aqui no SUPERFUZZ e posso dizer que são bandas de verdade.

Elo – O que você acha do atual momento do rock nacional? Tanto com relação as novas bandas e qualidade das mesmas. Quanto a estrutura de shows [se melhorou], o pagamento de cachê, etc.

Léo Mitchell – Vou falar do atual momento do rock “underground” nacional que eu vivo. Porque sei que existem outros undergrounds. Mas o que eu circulo ainda é difícil pra caralho de se manter. É mó trabalheira do caralho, é muita correria. E se você bobear sua noite vai pro caralho e fica aquele gosto de tempo perdido na boca. Por isso meu amigo, tem que ralar muito pra deixar o mundo mais parecido com aquela idéia na sua cabeça. Mas não tenho do que reclamar. To feliz pra caralho com tudo.

Elo – (xMagox) Além da banda de do Superfuzz que é mais conhecidinho, com o que mais os membros do Zander são, ou já foram, envolvidos: zines, distros ,coletivos?

Léo Mitchell – Alem do estúdio SUPERFUZZ, temos a MANIFESTO DISCOS que é um selo / loja virtual que esta crescendo aos poucos e com novos lançamentos já engatilhados.

Elo – Valeu! É sempre bom conversar com pessoas que de certa forma servem de referência para tudo o que acreditamos e além de tudo nos ajudaram a ser quem somos. Esperamos vocês em breve por aqui novamente. Pode falar o que quiser, o espaço é seu…

Léo Mitchell – Valeu demais o espaço aqui!  Espero vê-los em breve também! Grande abraço!

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O Elo Coletivo se importa com aquilo que as pessoas andam escutando por ai, ao menos um pouco, portanto de agora em diante estaremos de tempo em tempo trazendo 5 dicas do que ouvir. Dicas estas dadas não por nós e sim por aquelas pessoas que estão por dentro, que sabem separar o que vai pro lixo e o que fica na alma. E pra este primeiro post com dicas convidamos Luiz Manghi, da banda pernambucana Love Toys que provavelmente é conhecida por todos vocês, pra dizer um pouco o que ele anda ouvindo atualmente.

Luiz

Eu costumo ouvir BASTANTE uns dois ou três discos por semana, alguns até estendo por outra ou até outras semanas, quando o disco é muito foda e eu não consigo sair de casa sem colocar ele pra rolar no MP3 Player. Sabe, aqueles dias que você não tem dúvida do que quer ouvir. Pois bem, aqui o lance é apontar 5 discos que estou escutando muito atualmente e esse blog aqui é de punk, hardcore, essas coisas, né? Beleza. Então vou dizer aqui uns cinco discos dentro desse nicho que escutei bastante nos últimos, sei lá, um ou dois meses. Segura!

The Vibrators – Pure Mania (1977/78)

O Vibrators é um dos expoentes máximos do início do Punk, da classe das bandas que não tinham a temática das letras baseada em questões políticas e/ou sociais. O lance aqui era dizer coisas do tipo: “oh, seus olhos são tão bonitos e as roupas que você usa são demais!”. Esse disco tem várias faixas que não fariam feio em nenhuma pista de dança por aí. Pra você ter uma ideia do que está perdendo, se ainda não conhece a banda, eles já foram banda de apoio de Iggy Pop em uma turnê britânica em, tchanraaan, 77!

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The Saints – (I’m) Stranded (1977)

Mais um do fim dos 70’s. Ô época filha da puta! Com esse disco o The Saints chega pra colocar mais lenha na fogueira quando o assunto é “onde nasceu o punk rock?”. Os caras são australianos e gravam essa bolacha no fim de 1976! E aí? Ramones, Pistols ou Saints?! Discussão besta, mermão. Tinha que acontecer nessa época aí, seja em qualquer lugar do mundo, ou não aconteceria nunca mais! Esse disco tem uns sons com pegada mais rock ácido, tipo Stooges assim, mas tem umas faixas que já remetem a riffs básicos do punk rock. E, como deve ser em todo bom disco, tem uma balada também!

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The Rezillos – Can’t Stand The Rezillos (1978)

Caralho. Juro que esse é o último dessa época. Rezillos. Se você toca baixo e tem uma banda de punk rock, escute esse disco e reproduza todas as linhas de baixo na sua banda! Faça isso e será recompensado! Esse disco é matador, dançante pra caralho e bem tocado mais ainda. Ainda tem dois vocais foda: um cara, com uma voz mais ácida, meio rouca, e uma mina com uma voz meio “clássica”, sei lá, limpinha, afinada, harmoniosa. Esses bastardos são escoceses! Dá pra tu?! Mais lenha na fogueira, bicho.

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Zero Boys – Vicious Circle (1982)

Vamos pra casa dos 80’s agora. E as coisas começam a acelerar, mas o Zero Boys ainda carrega muito do ‘ranço’ 77 em algumas músicas. Outras já mostram o lado mais hardcore mesmo da banda, numa linha meio Dead Kennedys. Esse disco é foda alternando essas duas vertentes que influenciam a banda. Quando você escuta esse álbum fica se perguntando “como não conheci isso antes?!”. Vai em frente e me diz se to mentindo!

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D Generation – No Lunch (1996)

Um pouquinho de história não faz mal a ninguém. Jesse  Malin, vocal desta banda, foi fundador da Heart Attack, tida como uma das, se não a primeira banda de hardcore, ali pelo começo dos anos 80. Mas aqui o lance é outro. Passado cerca de 10 anos, ele forma a D Generation com uma proposta sonora diferente. As influências que saltam à vista são o punk, claro, mas também rock’n’roll e até glam, mais pelo estilo de vocal dele na banda.

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Encerro aqui esse meu post com algumas dicas de som e, claro, o link pra os que se interessarem, porque serviço só presta se for completo! Espero que curtam aí os sons. Agradecer ao Mago pelo convite e aproveitar pra parabenizar ele e Gustavo pela iniciativa do Blog e do Coletivo. Massa! Qualquer coisa tamo aí!

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